Entre máscaras, sons e movimento: oficinas do TeNpo revelam novos talentos
Ações formativas gratuitas aproximam estudantes e artistas de grandes nomes das artes cênicas, fortalecem a produção cultural regional e ajudam a formar profissionais que hoje movimentam a cena artística goiana

Durante a 21ª Mostra de Teatro Nacional de Porangatu (TeNpo), salas de aula, centros culturais e outros espaços tomados pela criatividade receberam artistas, estudantes e educadores em experiências que unem técnica, sensibilidade e troca de saberes. Nesta edição, cinco oficinas gratuitas transformaram o festival em um verdadeiro laboratório de criação artística, reunindo participantes vindos de Goiânia, Minaçu, Porangatu e cidades vizinhas.
As atividades fazem parte de uma das marcas mais importantes do TeNpo: democratizar o acesso à formação cultural e aproximar o público de profissionais reconhecidos nacionalmente. Ao longo dos anos, essa iniciativa ajudou a impulsionar carreiras, fortalecer grupos teatrais locais e inspirar professores, arte-educadores e produtores culturais que hoje mantêm viva a cena artística na região.
À frente da coordenação das oficinas formativas do TeNpo há quatro anos, Francisco Guilherme explica que as atividades exercem um papel fundamental dentro da proposta do festival. “As oficinas fazem essa ligação ao oferecer elementos que contribuem para a formação dos participantes, tanto de Porangatu quanto de outras cidades. Muita gente retorna todos os anos, o que mostra que o público acredita no potencial transformador do evento”, afirma.
Francisco também reforça a importância das ações para artistas do interior e para quem está começando na área cultural. “Arte é pesquisa, exige estudo,
construção e formação. Esse contato é essencial para quem quer seguir carreira ou ampliar o olhar sobre a cultura”, pontua.
O encerramento das oficinas foi marcado por apresentações dos alunos na manhã de sábado (16/5), último dia do festival, no Centro Cultural de Porangatu, compartilhando com o público os resultados dos processos criativos desenvolvidos ao longo da mostra. Às 9h30, os participantes da oficina Iniciação à Composição Coreográfica, conduzida pela professora Tatiana Márcia, abriram a programação.
Na sequência, às 10h10, foi a vez de Luciano de Freitas, ministrante da oficina De Lá Pra Cá, Daqui Pra Lá. Às 10h50, Janine de Campos conduziu as apresentações dos participantes do curso Corpo, Máscara e Objeto e, às 11h30, Mouhamed Harfouch encerrou as ações formativas.
Teatro de máscara
A oficina Corpo, Máscara e Objeto, ministrada pela atriz e pesquisadora Janine de Campos, levou a uma imersão no teatro de máscaras, linguagem ainda pouco explorada no Brasil. Durante o processo, os alunos criaram máscaras autorais, desenvolveram personagens a partir da expressão corporal e construíram cenas coletivas utilizando objetos como elementos dramatúrgicos.
“A máscara desumaniza o ator cotidiano para revelar a alma do personagem. Ela exige outra presença cênica, outra comunicação com o público”, explicou. Com experiências internacionais em países como Índia, Indonésia e Coreia, a artista destaca que muitos participantes tiveram ali o primeiro contato com essa linguagem teatral.
Entre eles está Pedro Castro, estudante de teatro da Universidade Federal de Goiás (UFG), que define a experiência como transformadora. “A professora nos incentivou a explorar a criação de maneira muito livre. É impressionante perceber como a máscara existe mesmo quando não usamos o objeto fisicamente. Me senti como uma criança vendo minha criação ganhar vida”, relatou.
Luz, câmera, ação
No universo do audiovisual, a oficina Criativa de Sonoplastia e Foley para Cinema, conduzida por Nuno Aymar, apresentou os bastidores sonoros do cinema. “Muita gente nunca teve acesso a esse tipo de formação. Mesmo sendo uma oficina introdutória, ela pode despertar futuros talentos para o audiovisual”, afirmou Nuno.
Já o arte-educador Luciano de Freitas conduziu a oficina De lá pra cá, daqui pra lá: Contação de Histórias como recurso cênico em sala de aula, aproximando teatro e educação. Luciano conhece de perto a força transformadora do TeNpo. O professor relembra que começou sua trajetória no festival ainda adolescente, aos 15 anos, participando das ações formativas. “Sou cria do TeNpo. Voltar agora, depois do doutorado, para compartilhar experiências é uma forma de devolver um pouco do que esse festival me proporcionou”, contou emocionado.
Dança que comunica
A dança também ganhou espaço na programação. Na oficina Iniciação à Composição Coreográfica, a professora Tatiana Márcia Souza Melo trabalhou fundamentos teóricos e práticos sobre construção de movimentos e criação cênica. “Não é apenas criar passos. Uma coreografia precisa de contexto, intenção e significado. Quando o aluno entende isso, o resultado artístico muda completamente”, ressaltou a professora.
Da cidade de Minaçu, Goiás, Tina Moraes afirmou que a experiência de participar da oficina com a professora Tatiana foi enriquecedora. “Nós, profissionais da dança, precisamos sair do nosso quadrado, buscar novos conhecimentos e estar atentos a tudo que acontece no cenário artístico. A dança está em constante evolução e precisamos continuar estudando e nos atualizando”, destacou.
Memória, identidade e expressão
Outra atividade que despertou forte identificação entre os participantes foi a oficina O Artista Narrador de Sua Própria História, com o ator Mouhamed Harfouch. A proposta convidou os alunos a refletirem sobre identidade, pertencimento e memória afetiva como ferramentas de criação artística.
Segundo Mouhamed, a oficina nasceu a partir de sua experiência com o espetáculo autobiográfico Meu Remédio. “Saber quem somos, de onde viemos e para onde queremos ir é libertador, tanto na arte quanto na vida. Quando o artista entende sua própria trajetória, ele escolhe melhor o que quer dizer ao mundo”, concluiu.
A moradora de Porangatu, Joana Cecília, contou que o curso provocou reflexões profundas sobre sua trajetória pessoal e artística. “As perguntas feitas pelo Mouhamed, de onde você vem, quem você é e para onde quer ir, fizeram a gente pensar muito sobre nossa identidade. Foi um processo importante de autoconhecimento”, relatou.
O festival
O TeNpo é um dos principais festivais culturais do Centro-Oeste brasileiro, reunindo espetáculos teatrais, apresentações musicais, cinema, performances urbanas e ações formativas gratuitas, promovendo o intercâmbio entre artistas locais e nacionais. A edição deste ano da mostra foi encerrada no sábado (16/5), depois de cinco dias de uma ampla programação gratuita em diferentes pontos da cidade.
O evento é realizado pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás), Universidade Federal de Goiás (UFG) e Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural (RTVE). A iniciativa conta com apoio da Prefeitura de Porangatu, Sesc Goiás, Goiás Social, Goiás Turismo e demais parceiros culturais e institucionais.
Fotos: Secult Goiás
Secretaria de Estado da Cultura – Governo de Goiás
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